domingo, 4 de março de 2012

PISTORIUS OU O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

O genial Pistorius em ação

Já dizia o fundamental Nelson Rodrigues que “o que dá ao homem um mínimo de unidade interior é a soma de suas obsessões”. Nada mais verdadeiro, nada mais verdadeiro. Eu, na realidade, acho que minhas obsessões são uma virtude. Dito isso então, vamos a uma delas: o corredor. Já disse em algum momento e em algum lugar por aqui que, no dia em que dois macacos disputaram uma corrida, foi inventado o ser humano. E é sobre uma destas extraordinárias figuras que eu quero falar hoje. Oscar Pistorius.
            O sul-africano Pistorius é amputado em ambas as pernas abaixo do tornozelo e especialista em 400 metros. Utilizando duas próteses que mais se parecem com uma suspensão de veículos off road, ele domina a categoria em competições paraolímpicas, sendo detentor do recorde mundial dos 100, 200 e 400 metros. Porém, como se não bastasse, Oscar é conhecido por sua luta para participar de competições convencionais. Incrivelmente, depois de muita polêmica, conseguiu sua chance. Participou do mundial de atletismo de 2011 em Daegu (Coréia do Sul) e foi medalhista de prata no revezamento 4X400 e semifinalista nos 400. Mas a polêmica segue. Será que as “molas” de Pistorius lhe proporcionam maior impulsão? Impossível saber, afinal de contas, precisaríamos de um Oscar com pés para responder a esta questão.
            Particularmente, para o bem do esporte paraolímpico, eu não gostaria de vê-lo disputar competições convencionais. O que eu gostaria mesmo era de viver o suficiente para assistir ao triunfo do engenho humano e da superação: um atleta amputado tornar-se o homem mais veloz do mundo, sendo mais rápido que um atleta "normal". Velhinho em minha poltrona, gritaria para meus netinhos a famosa frase que Aldous Huxley emprestou do bardo de Stratford-upon-Avon:
- Ó admirável mundo novo, que encerra criaturas tais!

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